segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Reflexão sobre intertextualidade


Poema para Carlos Drummond de Andrade



É útil redizer as coisas

as coisas que tu não viste

no caminho das coisas

no meio do teu caminho.


Fechaste os teus dois olhos

ao bouquet das palvras

que estava a arder na ponta do caminho

o caminho que esplende os teus dois olhos.


Anuviaste a linguagem de teus olhos

diante da gramática da esperança

escrita com as manchas de teus pés descalços

ao percorrer o caminho das coisas.


Fechaste os teus dois olhos

aos ombros do corpo do caminho

e apenas viste uma pedra

no meio do caminho.


No caminho doloroso das coisas.


João Maimona- poeta angolano



Desde logo notamos que o poema é um cacho de imagens intertextuais a partir do texto " Tinha uma pedra no meio do caminho", de Carlos Drummond de Andrade.



Carlos Drummond de Andrade nasceu a 31 de Outubro de 1902 em Minas Gerais, na cidade de Itabira. Em 1918 mudou-se para Friburgo onde estudou num colégio interno, de onde acabou por ser expulso. Começou a carreira de escritor como colaborador do Diário de Minas. Em 1925 formou-se em Farmácia, por exigência da família, no entanto nunca chegou a exercer a profissão. No mesmo ano, fundou, com Emílio Moura e outros escritores mineiros, o periódico modernista A Revista. Deu aulas de História e Geografia em Itabira. Em 1934 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde assumiu o cargo de chefe de gabinete de Gustavo Capanema, Ministro da Educação e Saúde no governo Vargas. Durante esse período, colaborou, como jornalista literário, para vários periódicos, principalmente o Correio da Manhã. Em 1945 abandonou o seu cargo público e tornou-se co-director do jornal de Luís Carlos Prestes. Mais tarde passou a trabalhar no então Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Aposentou-se em 1962. Apesar de ter começado a escrever bastante cedo, publicando Alguma Poesia em 1930, só a partir de 1950 passou a dedicar-se quase exclusivamente à produção literária. Publicou livros de poesia, contos, crónicas, Literatura infantil. Dedicou-se ainda à tradução. Carlos Drummond de Andrade morreu no Rio de Janeiro, em 1987.
“Entre suas principais obras poéticas estão os livros Alguma Poesia (1930), Sentimento do Mundo (1940), A Rosa do Povo (1945), Claro Enigma (1951), Poemas (1959), Lição de Coisas (1962), Boitempo (1968), Corpo (1984), além dos póstumos Poesia Errante (1988), Poesia e Prosa (1992) e Farewell (1996). Drummond produziu uma das obras mais significativas da poesia brasileira do século XX. Forte criador de imagens, sua obra tematiza a vida e os acontecimentos do mundo a partir dos problemas pessoais, em versos que ora focalizam o indivíduo, a terra natal, a família e os amigos, ora os embates sociais, o questionamento da existência, e a própria poesia.”

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